sábado, 12 de novembro de 2016

Sobre o 1º turno das eleições municipais no Brasil



Queria conseguir traduzir em palavras os sentimentos de angústia, preocupação, desânimo que sinto com o pleito eleitoral de ontem e a constatação, mais que óbvia, do avanço das forças conservadoras e fascistas no Brasil, mas não tenho esta capacidade literária.
Diferente das tantas análises, sejam elas rasas ou profundas, céticas ou apaixonadas, petista, psolista ou de anti-esquerda, penso que não há vencedores além do grande capital.
Ficou muito claro nas urnas, com alguns pontos fora da curva - caso do Rio de Janeiro, p. ex. -, o empobrecimento do debate e da consciência política e ideológica, tarefas estas que nós, do campo de esquerda, incluindo o PT e seus quase 14 anos de mandato no executivo federal, não conseguimos avançar.
Voltaremos, agora, ao enfrentamento contra os desmontes das agendas mais essenciais, em especial no campo dos direitos humanos e sociais, que um dia achamos que transformadas em Políticas de Estado jamais seriam golpeadas por quaisquer que fossem os partidos no poder.
Ledo engano.
Sofremos um Golpe na Democracia e seu principal objetivo é justamente este ataque. Pouco a pouco veremos ruir um processo, que mesmo difícil e controvertido, estava em construção e redesenhando uma nova história de realizações de dignidades e visibilidade das gentes.
É inegável a saída do Brasil do Mapa da Fome no Mundo; o fim da dependência do FMI; o acesso ao ensino, em especial ao universitário (ampliação das vagas, sistema de cotas, fies, pró-uni, ciência sem fronteira, etc.); programas sociais importantes, como "minha casa minha vida", mais médicos, bolsa família, dentre tantos outros que doerão muito ver sucateados ou extintos.
Precisamos, mesmo ainda sem forças, juntar nossos "caquinhos" e voltar a repensar nossos caminhos. Somos muitos, somos fortes e agora, mais que nunca, seremos uma oposição implacável, pois conhecemos de perto o que foram os avanços nos campos das cidadanias, dos direitos humanos e o que de fato podemos construir para garantir que todxs, sem exceções, tenham os mesmos direitos e garantias protegidos.
Meus prognósticos para 2018 e 2020 não são dos melhores (e não acho que tenho capacidade para uma avaliação política de grande profundidade), mas de qualquer forma temos de ter urgência e prioridade na construção de agendas que unifiquem as lutas, face ao avanço desta onda conservadora.
É incompreensível pra mim pensar que nós, do campo da esquerda, não temos a capacidade e o altruísmo para identificar que esta antropofagia é nossa morte.
À luta Compxs! Não temos tempo a perder!








<3


Por Daniela Felix 
Arquivos do facebook: texto publicado na página pessoal em 03.10.2016



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