sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Argumentos e reflexões



Vamos melhorar os argumentos pra reprovar as condutas antiéticas dos médicos que divulgaram irregular/ilegalmente imagens, boletins e até fizeram comentários de como tirar a vida de Dona Marisa Letícia. 

"Vagabunda" e "monstro" não são argumentos, mas mera reprodução de ódio e misoginia.
Mais importante neste momento é buscar as responsabilizações administrativas e judiciais (se for o caso) das condutas, bem como refletir sobre a formação da classe médica nas cátedras.

Lembro que não é de hoje que vemos instituições de representações da classe médica se insurgindo contra políticas de saúde (ex. mais médicos), financiando atos de setores empresariais (Cremesp/Fiesp) ou até mesmo presos - em flagrante ou por investigações - por desvios de materiais dos hospitais públicos e por serem funcionários fantasmas (ao ponto de deixarem órteses dos dedos com digitais para outros marcarem o ponto eletrônico). Nem vou tocar na questão do tráfico de órgãos.

Há também inúmeros casos que podem ilustrar o que falo nas Faculdades de Medicina, entre estudantes, como racismo, homofobia, crimes sexuais, violências, incitações de todas as formas e, inclusive, mortes (vários casos históricos e recentes).

Estamos falando de pessoas, na sua quase totalidade, proveniente das elites, cercadas de privilégios, que em grande medida passam alheias às esferas sociais e políticas. Raros são os estudantes e profissionais que rompem os muros do Jardim do Éden e se veem como humanos, igual a todos os outros, pois a lógica empreendida nos cursos de graduação e especializações é a de formação de Deuses e, uma vez conquistado este status, tornam-se seres acima do bem e do mal, tomam pra si um "poder" de vida ou morte sobre os pobres mortais.

Isso é tão assustador que parece irreal, mas não é, além, é este poder que os tornam (quase) imunes a todas e quaisquer transgressões éticas e ilegais.

O que vemos neste momento triste é apenas um grão de areia no deserto... infelizmente.
Em resumo: precisamos qualificar o debate. O ódio não é uma opção.

(Texto originalmente publicado no facebook: Amigues do face, faço um apelo humanitário)

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