domingo, 7 de junho de 2009

Voltar pra casa...

Bom... mal cheguei e já estou escrevendo algumas linhas sobre os Doces Dias na Cidade Maravilhosa e das saudades que sentirei!
Digo que estes 5 e inesquecíveis dias de estada por lá foram sublimes!
Conheci pessoas maravilhosas, estreitei vínculos com pessoas queridas, presenciei o refinado debate crítico e contraditório, todavia, preocupado com os rumos do direito penal, da criminologia, da segurança e, principalmente, com a efetividade dos Direitos Humanos e Humanitários, porém não de uma forma discursiva, mas a realização concreta dos direitos e garantias fundamentais.
Possível?
Gosto de pensar que sim. E, neste sentido, afirmo o que Eduardo Galeano escreveu sobre o "Direito de Sonhar":

Tente adivinhar como será o mundo depois do ano 2000. Temos apenas uma única certeza: se estivermos vivos, teremos virado gente do século passado. Pior ainda, gente do milênio passado.

Sonhar não faz parte dos trinta direitos humanos que as Nações Unidas proclamaram no final de 1948. Mas, se não fosse por causa do direito de sonhar e pela água que dele jorra, a maior parte dos direitos morreria de sede.

Deliremos, pois, por um instante. O mundo, que hoje está de pernas para o ar, vai ter de novo os pés no chão.

Nas ruas e avenidas, carros vão ser atropelados por cachorros.

O ar será puro, sem o veneno dos canos de descarga, e vai existir apenas a contaminação que emana dos medos humanos e das humanas paixões.

O povo não será guiado pelos carros, nem programado pelo computador, nem comprado pelo supermercado, nem visto pela TV.

A TV vai deixar de ser o mais importante membro da família, para ser tratada como um ferro de passar ou uma máquina de lavar roupas.

Vamos trabalhar para viver, em vez de viver para trabalhar.

Em nenhum país do mundo os jovens vão ser presos por contestar o serviço militar. Serão encarcerados apenas os quiserem se alistar.

Os economistas não chamarão de nível de vida o nível de consumo, nem de qualidade de vida a quantidade de coisas.

Os cozinheiros não vão mais acreditar que as lagostas gostam de ser servidas vivas.

Os historiadores não vão mais acreditar que os países gostem de ser invadidos.

Os políticos não vão mais acreditar que os pobres gostem de encher a barriga de promessas.

O mundo não vai estar mais em guerra contra os pobres, mas contra a pobreza. E a indústria militar não vai ter outra saída senão declarar falência, para sempre.

Ninguém vai morrer de fome, porque não haverá ninguém morrendo de indigestão.

Os meninos de rua não vão ser tratados como se fossem lixo, porque não vão existir meninos de rua.

Os meninos ricos não vão ser tratados como se fossem dinheiro, porque não vão existir meninos ricos.

A educação não vai ser um privilégio de quem pode pagar por ela.

A polícia não vai ser a maldição de quem não pode comprá-la.

Justiça e liberdade, gêmeas siamesas condenadas a viver separadas, vão estar de novo unidas, bem juntinhas, ombro a ombro.

Uma mulher - negra - vai ser presidente do Brasil, e outra - negra - vai ser presidente dos Estados Unidos. Uma mulher indígena vai governar a Guatemala e outra, o Peru.

Na Argentina, as loucas da Praça de Maio vão virar exemplo de sanidade mental, porque se negaram a esquecer, em tempos de amnésia obrigatória.

A Santa Madre Igreja vai corrigir alguns erros das Tábuas de Moisés. O sexto mandamento vai ordenar: "Festejarás o corpo". E o nono, que desconfia do desejo, vai declará-lo sacro.

A Igreja vai ditar ainda um décimo-primeiro mandamento, do qual o Senhor se esqueceu: "Amarás a natureza, da qual fazes parte".

Todos os penitentes vão virar celebrantes, e não vai haver noite que não seja vivida como se fosse a última, nem dia que não seja vivido como se fosse o primeiro

Reafirmo que a construção de "um outro mundo é possível".
Bom, Amig@s Cariocas, Mineiros, Gaúchos, Paranaenses, Catarinas, Brasilienses e de tantas outras naturalidades, digo que eventos como o que presenciamos devem pautar nossas vidas, pois é neste convívio que temos possibilidades de conviver e compartilhar teorias, bibliografias, biografias, casos práticos e, acho que o que mais necessitamos, o desabafo a quem compreenda das dores e pedras do trilhar criminológico crítico.
Venho sempre reafirmando como sendo um dos principais ganhos da 1ª Conf. Nacional de Segurança Pública o caráter construtivo das redes sociais e de informações, os vínculos de afeto que se estabelecem pelas afinidades encotradas no caminhar do processo, muito embora este encontro do ICC não esteja vinculado diretamente na Conferência e, sim, compreende-se no universo, justamente neste ano de debates intensos.
Erros, acertos, equívocos, certezas? Não sei. Meu processo de assimilação virá no cotidiano , nas vivências e nas leituras diferentes que pude abstrair dos discursos.

Aos Queridíssimos Autores, Rubens Casara e Virgílio de Mattos, que me presentearam com exemplares da suas obras científicas, além do agradecê-los, informo que ambos os livros estão na cabeceira.
Após, conversaremos! CLARO! Irei certamente importuná-los via e-mail com minhas dúvidas e debates, não se preocupem!

Observações:
*No decorrer da semana trago as surpresas em agradecimento!
*O pôr do sol foi uma alegria da nostálgica volta para casa. Sempre me vem à cabeça quando estou a caminho de casa aquele pensamento, do qual me foge a autoria, que diz 'que por onde passamos, deixamos um pouco de nós e trazemos um pouco daqueles que estivemos juntos'. É assim que me sinto...
*Tentei colocar o álbum com imagens do Rio, mas acho que não deu muito certo. Amanhã verei o que fazer. Da mesma forma com o programa de entrevistas que foi retirado do youtube, tentarei particionar o arquivo.


Beijos e boas semanas...

Dani Felix - Diretamente dos Mares do Sul!


Nenhum comentário: